Como montar o GTM do H2 do zero

Você entrou em julho com o mesmo time, o mesmo processo e a mesma lista de potenciais clientes que te fez perder o H1. E chamou isso de plano de aceleração.

Já vi isso 11 vezes. Em 9, o H2 terminou pior que o H1.


O CASE

CEO de uma SaaS B2B, ARR de R$ 9,8M. Chegou em julho com meta de R$ 5,2M de receita nova no H2.

O H1 tinha gerado R$ 2,9M — 56% da meta semestral. Não era catástrofe, mas estava abaixo.

O plano de H2: "Contratar mais 2 SDRs, aumentar volume de prospecção e focar em deals maiores."

Perguntei: "Quem foram os 5 clientes que mais geraram receita no H1?"
Ele listou. Perguntei: "Qual o perfil em comum?"
Pausa longa. "Nunca olhei dessa forma."

Eram todas empresas de distribuição com mais de 80 funcionários que já usavam ERP próprio. Não startups, não pequenas empresas — o ICP que ele perseguia no H1.

O ICP documentado no planejamento do ano? Scale-ups de tecnologia entre R$ 5M e R$ 20M de faturamento.

Em 6 meses, ele prospecitou 340 empresas do ICP errado e converteu 4% das 47 que eram o ICP real.


O ERRO ESTRUTURAL DO H2

Segundo estudo da Winning by Design (2025), empresas que recalibram ICP e canais no meio do ano têm 2,1x mais chances de recuperar meta no H2 do que as que mantêm a estratégia original com mais volume.

O problema não é velocidade. É direção.

Mais SDRs prospectando para o ICP errado gera mais pipeline fantasma — negociações que existem no CRM mas nunca convertem. O time esgota. A meta não fecha. E em dezembro você repete o ciclo.

OS 3 ERROS DO "PLANO DE H2"

Erro 1: Copiar o ICP sem validar quem converteu

O ICP do planejamento é uma hipótese. O ICP real é quem fechou contrato, pagou a primeira mensalidade e continuou ativo 90 dias depois.

Se você não rodou esse filtro no H1, não sabe seu ICP real. E não sabe onde colocar sua energia no H2.

Erro 2: Aumentar volume sem ajustar qualificação

Mais prospecção em ICP errado = mais custo de aquisição por nada. O SDR gasta tempo, o closer gasta tempo, o CS recebe cliente que vai embora em 90 dias.

Antes de contratar SDR, responda: qual a taxa de conversão de lead qualificado para oportunidade nos últimos 60 dias? Se estiver abaixo de 20%, o problema não é volume — é qualificação.

Erro 3: Manter quem está em queda sem diagnóstico

Vendedor que passou 60 dias abaixo da meta sem mudança de comportamento não vai recuperar no H2. A falta de diagnóstico agora vai custar 3 meses de resultado perdido mais tarde.


COMO MONTAR O GTM DO H2 DO ZERO

1. Rode o filtro de ICP real

Pegue os últimos 20 clientes que fecharam. Identifique:

  • Segmento, tamanho, stack tecnológico
  • Quem iniciou o contato (inbound ou outbound)
  • Tempo médio de negociação até fechamento
  • Taxa de permanência após 90 dias

Os padrões que aparecem são seu ICP real. O resto é hipótese.

2. Calcule o CAC real por canal

Não o CAC médio. O CAC por canal — ads, indicação, evento, outbound frio, conteúdo.

Fórmula: (custo total do canal no período) ÷ (clientes adquiridos por esse canal no mesmo período)

Corte os canais com CAC > 50% do LTV. Dobre nos canais abaixo de 30%.

3. Defina o que muda no time antes de julho

Para cada vendedor: meta H1, resultado H1, gap, diagnóstico (skill, will, ou processo?), plano de 30 dias.

Quem não tem plano de 30 dias não tem plano. Tem esperança.


O FECHAMENTO

O H2 não vai se planejar sozinho. E copiar o H1 não é planejar — é adiar o diagnóstico.

A pergunta certa antes de julho não é "como vamos acelerar?".

É "o que aprendemos no H1 que muda o que fazemos no H2?"


PS: Se você lidera vendas em SaaS/B2B e quer fazer o diagnóstico de ICP e canais antes de montar seu plano de H2, chama no: Whats

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